Tienda de Acuario y Aquascaping
Bienvenido a nuestro Blog!
Aquí podrás encontrar las últimas llegadas de material a nuestra tienda, incluyendo animales vivos y plantas.
También podrás encontrar algunos artículos o publicaciones de su interés, siéntase libre de comentar nuestras publicaciones!
"Nitrificação em pH Ácido: Como as Plantas Podem Ser o Verdadeiro Filtro Biológico nos Aquários Plantados"
Durante muito tempo, foi aceite como regra que a nitrificação — processo essencial do ciclo do azoto nos aquários — não ocorria eficazmente em ambientes ácidos.
No entanto, um estudo publicado por Schramm et al. (1998) e agora mais recentemente "Nitrification in a Biofilm at Low pH Values: Role of In Situ Microenvironments and Acid Tolerance", publicado em 2006 por Armin Gieseke, Sheldon Tarre, Michal Green e Dirk de Beer veio demonstrar que, em certas condições, as bactérias nitrificantes conseguem adaptar-se e manter a sua atividade mesmo em pH tão baixos quanto 5,0.
Curiosamente, muitos de nós, aquariofilistas com experiência em aquários plantados já observavam este fenómeno na prática, mesmo sem a validação científica: os aquários funcionavam, os parâmetros mantinham-se estáveis e os peixes prosperavam, mesmo com pH consideravelmente ácido.
Com base nesta constatação — agora apoiada pela ciência, "quanto baste" — que comecei a questionar algo que sempre me intrigou: será que, em ambientes plantados e com pH ácido, faz mesmo sentido continuarmos a ver as plantas apenas como consumidoras finais de nitrato? Ou não será mais lógico pensarmos nelas como parte ativa da filtragem biológica, sobretudo pela sua capacidade de absorver diretamente o amónio (NH₄⁺), uma fonte de azoto menos tóxica e metabolicamente mais eficiente para as plantas?
E é com base nesta linha de raciocínio, sustentada pelos estudos que partilho no final do texto, que trago hoje esta reflexão. Não pretendo apresentar verdades absolutas até porque neste Hobby poucas devem haver, mas antes lançar uma hipótese para que cada aquariofilista possa ponderar, observar e, se fizer sentido, tirar as suas próprias conclusões. No meu caso, com base na experiência prática nos meus aquários plantados, esta abordagem tem funcionado de forma consistente e surpreendentemente eficaz.
Nitrificação em Ambientes Ácidos: Como as Bactérias se Adaptam
O QUE É NITRIFICAÇÃO?
A nitrificação é um processo natural onde bactérias transformam amónia (NH₃) em nitrito (NO₂⁻) e depois em nitrato (NO₃⁻), ajudando a manter a água saudável para peixes e plantas.
O QUE FOI DESCOBERTO?
Um estudo científico demonstrou que biofilmes nitrificantes conseguem funcionar mesmo em águas muito ácidas (com pH por volta de 4), algo que antes se pensava impossível.
COMO ISSO É POSSÍVEL?
Os cientistas testaram duas ideias:
RESULTADOS:
Estas bactérias adaptaram-se ao ambiente ácido com:
COMO FUNCIONA O EQUILÍBRIO?
O QUE ISTO SIGNIFICA PARA A AQUARIOFILIA?
Mesmo em águas com pH baixo, é possível manter a nitrificação ativa — desde que haja biofilmes saudáveis e tempo para adaptação, algo que já acontece nas nossas "ceramicas" ou materias filtrantes dos nossos filtros
Apoiar bactérias como Nitrospira spp. e Nitrosospira spp. pode ser essencial em sistemas com pH naturalmente ácido (como biótopos amazónicos), como por exemplo nos dias das TPAS adicionar activadores biologicos de forma a estabilizar novamente a colonia de bacterias na altura onde há mais variação de parametros, durante as trocas de água.
Fonte: Estudo: "Nitrification in a Biofilm at Low pH Values: Role of In Situ Microenvironments and Acid Tolerance"Journals ASM+2ResearchGate+2PubMed Central+2
Estudo: "High-Rate Nitrification at Low pH in Suspended- and Attached-Biomass Reactors"
As Plantas Como Filtro Biológico em Aquários Plantados com pH Ácido: Um Novo Olhar Sobre a Nitrificação
Quando falamos em filtragem biológica nos aquários, é comum pensarmos nas colónias de bactérias que habitam os materiais porosos do filtro, encarregues de transformar os compostos tóxicos do ciclo do azoto — como a amónia — em substâncias menos perigosas como o nitrato. No entanto, em aquários plantados de aquascaping, especialmente aqueles com pH ácido, há um fenómeno interessante que merece a nossa atenção: o papel ativo das plantas como parte fundamental da filtragem biológica.
O Ciclo do Azoto e o Papel das Bactérias
Em condições normais, o ciclo do azoto é movido por dois grupos de bactérias:
Este processo é sensível ao pH da água. Estudos mostram que em ambientes com pH abaixo de 6,0, a atividade destas bactérias abranda consideravelmente, podendo mesmo parar se o pH atingir valores próximos dos 5,0. Contudo, alguns estudos recentes, incluindo aquele que estamos a analisar, indicam que se a transição para esse pH for gradual e o ambiente se mantiver estável, as bactérias conseguem adaptar-se parcialmente, continuando a nitrificar mesmo em meios ácidos — ainda que a um ritmo muito inferior ao habitual.
Amonía vs Amonio: A Importância do pH
A forma sob a qual a amónia se apresenta na água depende fortemente do pH. Em pH neutro ou alcalino, predomina a forma NH₃ (amónia), altamente tóxica para peixes e invertebrados. Já em pH ácido, o equilíbrio químico favorece a forma NH₄⁺ (amónio), que é consideravelmente menos tóxica.
E aqui entra a questão-chave: as plantas preferem o NH₄⁺ ao NO₃⁻ como fonte de azoto. A assimilação do amónio pelas plantas requer menos energia do que a do nitrato, o que significa que em ambientes com pH ácido, onde a amónia é convertida naturalmente em amónio, as plantas encontram uma fonte de azoto ideal — desde que o equilíbrio do sistema seja respeitado.
O Papel das Plantas em Aquários com pH Ácido
Num aquário de aquascaping com injeção de CO₂, fertilização controlada e pH naturalmente ácido (frequentemente entre 5,5 e 6,2), pode ocorrer o seguinte cenário:
Ou seja, neste tipo de sistema, as plantas não são apenas consumidoras de nitrato, mas tornam-se filtradoras ativas do amónio, reduzindo a pressão sobre as bactérias nitrificantes e ajudando a manter a qualidade da água de forma eficiente.
Uma Nova Perspetiva sobre a Filtragem Biológica
Este entendimento leva-nos a repensar a forma como olhamos para a filtragem biológica em aquários densamente plantados e com pH ácido. Embora os filtros com cerâmicas e colónias bacterianas continuem a ser importantes, não devem ser o único foco da "ciclagem" neste contexto. As plantas passam a ser parte integrante da estratégia de controlo de compostos nitrogenados — especialmente quando as condições favorecem a permanência do amónio na coluna de água.
É claro que o sistema deve ser cuidadosamente equilibrado: excesso de matéria orgânica, sobrealimentação ou poda incorreta podem levar à acumulação de compostos que nem bactérias nem plantas conseguem processar a tempo. Mas, quando bem montado e mantido, este tipo de aquário representa um ecossistema altamente eficiente e estável.
Conclusão
Em aquários plantados com pH ácido, como os de aquascaping com injeção de CO₂, faz cada vez mais sentido olhar para as plantas como um componente essencial da filtragem biológica. Ao compreender melhor os efeitos do pH na nitrificação e a preferência das plantas pelo amónio, podemos otimizar o funcionamento natural do aquário, reduzir o stress sobre a fauna e alcançar um equilíbrio ecológico mais inteligente.
Publicação feita por Ivo Lança Soares 03/04/2025
Fontes:
Equilíbrio entre Amónia e Amónio Dependente do pH:
Num aquário plantado, o dióxido de carbono (CO₂) é um dos nutrientes mais importantes para o crescimento saudável das plantas. Mas o que muitos aquariofilistas não sabem ou não entendem é que o KH (dureza carbonatada) e o pH afetam diretamente a forma química em que esse carbono está disponível, e por consequência, o quanto dele as plantas conseguem realmente absorver.
Quando injetamos CO₂ na água, ele não permanece apenas como CO₂ dissolvido. Ele entra numa série de reações químicas que formam outras moléculas, num equilíbrio sensível ao pH:
CO₂ dissolvido (CO₂(aq))
Ácido carbónico (H₂CO₃)
Ião bicarbonato (HCO₃⁻)
Ião carbonato (CO₃²⁻)
Estas espécies químicas coexistem na água, mas a proporção entre elas muda radicalmente com o pH e KH. Eis como funciona:
Predominância de CO₂ dissolvido e ácido carbónico (H₂CO₃)
Nesta zona do gráfico de equilíbrio, o carbono está principalmente em formas facilmente assimiláveis pelas plantas.
O CO₂ dissolvido é absorvido diretamente pelos estomas das folhas, sendo a forma mais eficiente para a fotossíntese.
O ácido carbónico é uma forma instável que se dissocia facilmente em CO₂ e água, contribuindo para esta disponibilidade.
Ideal para aquários plantados com injeção de CO₂, mas exige cuidado porque o pH pode flutuar mais facilmente, o que poderá não ser ideal para algumas especies, mas pela nossa experiencia e em especial tendo em conta que a grande maioria das especies de peixes e invertebrados usados em aquários plantados preferem originalmente águas mais ácidas, neste tipo de ambientes a flutuação de pH é algo normal e consequencia de águas moles com durezas baixas.
Equilíbrio dinâmico entre CO₂, H₂CO₃ e HCO₃⁻ (Ácido carbonico e bicarbonato)
Aqui começa a haver uma quantidade considerável de bicarbonato, mas ainda há CO₂ suficiente na forma dissolvida para as plantas.
Algumas plantas aquáticas conseguem utilizar também o HCO₃⁻, mas esse processo é menos eficiente e energeticamente mais exigente.
Esta faixa representa um bom compromisso entre estabilidade de pH e eficiência na absorção de CO₂.
Predomínio de bicarbonato (HCO₃⁻) e carbonato (CO₃²⁻)
O CO₂ dissolvido praticamente desaparece e o carbono passa a existir quase exclusivamente em formas menos disponíveis para as plantas.
Algumas espécies adaptadas conseguem aproveitar o bicarbonato, mas a maioria das plantas não.
O carbonato (CO₃²⁻), presente em pH ainda mais altos, é inútil para as plantas e pode até precipitar com cálcio e magnésio, reduzindo a dureza geral da água.
Nestes parâmetros, a injeção de CO₂ torna-se ineficiente ou até inútil, e o crescimento das plantas pode estagnar.
O KH atua como tampão, resistindo à queda de pH causada pela injeção de CO₂. No entanto, um KH alto torna mais difícil acidificar a água até níveis onde o CO₂ fique disponível em forma útil.
Resumidamente:
KH | pH resultante | Forma predominante de carbono |
Disponibilidade para plantas |
---|---|---|---|
Baixo (1–3) | 6.0–6.6 | CO₂(aq), H₂CO₃ | Alta (ideal) |
Médio (4–6) | 6.6–7.2 | CO₂ + HCO₃⁻ | Moderada |
Alto (7+) | >7.4 | HCO₃⁻, CO₃²⁻ | Baixa |
Manter o KH entre 3 e 5 dKH permite que o CO₂ esteja maioritariamente disponível nas formas preferidas pelas plantas, sem comprometer a estabilidade do sistema. Este equilíbrio delicado entre ácidos e bases é a base da saúde de um aquário plantado.
Na Soluções Aquáticas, temos produtos específicos para te ajudar a ajustar o KH e a manter os parâmetros ideais para cada tipo de montagem. Se precisares de ajuda a interpretar os teus valores de pH, KH e CO₂, fala connosco. Garantimos que nenhuma planta vai passar fome de carbono!
Agora vamos exclarecer algumas questões ou detalhes que certamente alguns de vós poderão ter.
Quando o dióxido de carbono (CO₂) é injetado no aquário, ele não permanece apenas “a flutuar” na água. Em contacto com as moléculas de H₂O, o CO₂ inicia uma reação reversível fundamental para a química da água:
O CO₂ entra na água sob pressão (geralmente por difusores) e uma parte dele fica como CO₂(aq), ou seja, CO₂ fisicamente dissolvido na água.
Esta é a forma mais eficiente para a fotossíntese das plantas.
As plantas absorvem o CO₂ diretamente da coluna de água para realizar a fotossíntese.
Mas nem todo o CO₂ permanece nesta forma. Uma parte reage com a água, formando ácido carbónico:
O ácido carbónico é um ácido fraco e instável. Ele não existe em grande concentração na água, mas é extremamente importante porque:
Funciona como ponte entre o CO₂ e as outras formas de carbono (como o bicarbonato e o carbonato).
Dá início à cadeia de reações ácido-base que regulam o pH da água.
Quando o CO₂ forma ácido carbónico, ele acidifica ligeiramente a água. Isso acontece porque o H₂CO₃ pode dissociar-se em:
Essa libertação de H⁺ (protões) é o que baixa o pH da água.
Mas atenção: o quanto o pH vai baixar depende da presença do KH (bicarbonato), que age como tampão, resistindo à acidez.
CO₂ entra na água → forma CO₂(aq)
CO₂(aq) + H₂O → forma ácido carbónico (H₂CO₃)
H₂CO₃ → liberta H⁺ → pH baixa
Bicarbonato presente (KH) neutraliza parte da acidez
Em águas com KH muito alto, pouco CO₂ se transforma em H₂CO₃, e menos ainda em CO₂ disponível para as plantas.
Em águas com KH muito baixo, a formação de H₂CO₃ é eficaz, mas o pH pode oscilar perigosamente.
O segredo é manter o KH entre 3 e 5 dKH, permitindo que parte do CO₂ se converta em ácido carbónico, sem desestabilizar o sistema.
Na água do aquário, o ácido carbónico (H₂CO₃) está em equilíbrio com os seus produtos de dissociação:
Este equilíbrio é extremamente dinâmico e está sempre a ajustar-se consoante o pH, o KH e a presença de CO₂ dissolvido. Vamos focar-nos num ponto muito importante:
O H₂CO₃ dissocia-se em H⁺ (íon de hidrogénio) e HCO₃⁻ (bicarbonato).
À primeira vista, parece lógico pensar:
"Se o ácido carbónico liberta H⁺, então o pH vai baixar, certo?"
Sim... mas não exatamente. Eis o porquê:
O ião HCO₃⁻ é uma base fraca — ou seja, tem capacidade para aceitar H⁺.
A sua presença neutraliza parcialmente o efeito acidificante do H⁺ que foi libertado.
Em termos simples: o bicarbonato é mais alcalino do que o H⁺ é ácido, pelo que o pH não desce tanto quanto seria de esperar.
Isto é exatamente o que dá ao KH o seu poder tampão: a capacidade de resistir a variações de pH ao absorver ou ceder iões H⁺ conforme necessário.
Quando adicionamos CO₂ à água, mais ácido carbónico se forma, e parte dele dissocia-se, libertando H⁺.
O pH tende a descer, mas o KH vai resistindo a essa descida — porque o bicarbonato neutraliza parte do H⁺.
Se o KH for muito baixo, esta neutralização é fraca e o pH pode cair rapidamente.
Se o KH for alto, o pH mantém-se estável — mas o CO₂ disponível em formas úteis (CO₂(aq) e H₂CO₃) será muito menor.
O bicarbonato (HCO₃⁻) age como um "almofadador" do pH.
A libertação de H⁺ pelo ácido carbónico não provoca uma grande queda no pH porque o bicarbonato compensa essa acidez.
É por isso que o pH do aquário não muda bruscamente com a adição de CO₂... até que o KH esteja quase esgotado.
Depois da formação de ácido carbónico (H₂CO₃) e da sua dissociação em bicarbonato (HCO₃⁻), o equilíbrio pode avançar mais um passo — especialmente em águas com pH mais alto — formando:
O pH ultrapassa os 8.2
O KH (dureza carbonatada) está elevado
Há pouca concentração de CO₂ dissolvido na água (ou seja, pouco ácido carbónico para puxar o equilíbrio para trás)
É uma reação que marca a transição da água para um meio muito alcalino — e aqui começam os problemas para as plantas.
O carbonato (CO₃²⁻) é uma forma de carbono praticamente inútil para as plantas aquáticas.
A maioria das plantas não consegue absorver CO₃²⁻, e mesmo as que usam bicarbonato (como Vallisneria ou Egeria) não têm mecanismos para o carbonato.
Portanto, quanto mais o equilíbrio pende para o lado dos carbonatos, menos carbono disponível haverá para as plantas, mesmo que o KH esteja alto.
Este é um ponto fascinante:
Quando o bicarbonato se transforma em carbonato, liberta mais um H⁺ — o que deveria baixar o pH.
Mas isso não acontece visivelmente, porque o carbonato (CO₃²⁻) é uma base muito mais forte que o bicarbonato.
A alcalinidade da água aumenta ainda mais, e o sistema fica mais resistente a mudanças de pH.
Resultado: o pH estabiliza em valores altos, geralmente entre 8.2 e 8.5 ou até mais.
Esta reação ocorre em pH elevado
Carbonato não é absorvido pelas plantas
Reduz a disponibilidade de carbono útil
Aumenta a alcalinidade e a resistência do pH
Se o KH e o pH forem demasiado altos, o equilíbrio ácido-base move-se na direção errada — o carbono útil para as plantas (CO₂ e H₂CO₃) dá lugar a bicarbonato e depois a carbonato.
É por isso que manter o KH entre 3–5 dKH e o pH entre 6.5–7.2 é a melhor forma de garantir uma boa concentração de carbono disponível para as plantas aquáticas.
Se o objetivo principal do aquário for o crescimento saudável e exuberante das plantas, então o ideal é manter o KH o mais próximo possível de zero, ou no máximo até 3 dKH. Nessa faixa, a absorção de CO₂ pelas plantas é máxima, pois o carbono permanece predominantemente nas formas que elas realmente conseguem utilizar: CO₂ dissolvido e ácido carbónico.
Mesmo em Portugal, onde temos águas relativamente boas para a aquariofilia, a maioria dos aquariofilistas continua a utilizar água da rede, com durezas carbonatadas moderadas ou até elevadas. Isso limita drasticamente o potencial de um aquário plantado, especialmente quando se investe em fertilizantes, iluminação de topo, CO₂ pressurizado e hardscape de qualidade.
O curioso — e por vezes frustrante — é que muitos desses aquários não atingem o nível de excelência simplesmente por não se ter optado por uma solução tão básica como a utilização de água de osmose inversa (RO), remineralizada com precisão. Este pequeno passo pode ser o divisor de águas entre um bom aquário e um aquário de nível mundial.
Publicado por: Ivo Lança Soares 02/04/2025
Olá, o meu nome é Ivo Soares e venho falar-vos sobre fertilização líquida e algumas dicas sobre como fazer crescer plantas nos vossos aquários.
Gostaria de referir que vou tentar não complicar muito certos aspetos, pois a ideia deste texto irá ser desmistificar e simplificar a fertilização líquida que muitas das vezes continua associada a mitos e ideologias erradas como por exemplo possíveis “booms” de algas, doenças de peixes etc, mas ao mesmo tempo vou tentar não ser demasiado básico na minha abordagem, pois sei que desse lado encontra-se desde o aquariofilista iniciante até ao aquariofilista mais experiente e a ideia será agradar e partilhar conhecimentos com todos vocês.
Existem muitos mitos gerados pelas marcas em que não se podem misturar produtos de uma marca com produtos de outra marca, poderá ser verdade no caso de um aquariofilista que olha para um fertilizante e não consegue perceber o que poderá estar em falta ou excesso caso misture diferentes produtos, o que não acontece se forem bem escolhidos.
Gostaria que no final deste texto conseguissem ir a uma loja de aquariofilia ou até mesmo via online e olhassem para um produto seja de que marca for e que tenham a capacidade de escolher e de combinar diferentes, pois a fertilização líquida não é nenhum “bicho de 7 cabeças” onde temos de estar sempre em cima dos parâmetros e constantemente a alterar a modificar aspetos, deve sim ser vista como algo simples, intuitivo que quando devidamente utilizada só trás vantagens.
Diria que existem actualmente duas abordagens à fertilização uma mais vocacionada para crescer plantas e outra mais vocacionada para o aquascaping onde não queremos crescer plantas muito rapidamente, queremos sim manter o nosso layout e as nossas plantas no equilibrio perfeito de tamanho cor e forma.
Para começar e pensando em que muitos de vocês poderam não saber quais os principais nutrientes que uma planta precisa para crescer saudável, passo a enumera-los.
Temos então de uma forma geral duas categorias de nutrientes, os macro nutrientes e os micro nutrientes. Comecemos então pelos macro nutrientes que são os nutrientes que as plantas precisam em maior quantidade, ou seja de todos os nutrientes que a planta irá absorver, os macro nutrientes sem sombra de dúvida serão os mais importantes para garantir uma planta saudável.
Neste grupo temos o nitrogénio, o fósforo e o potássio. Existe um elemento que não é visto normalmente como um nutriente que é o dióxido de carbono. A meu ver, e basta pensarmos que qualquer planta é composta por cerca de 40 a 45% de carbono, faz todo o sentido então olharmos para este como um macro nutriente que apenas não é normalmente introduzido no aquário de forma líquida (apesar de já haver alguns compostos de ^"carbono orgânico" que são doseados de forma líquida), mas sim na forma gasosa, estou a referir-me aos típicos kits de CO2 pressurizados.
Portanto, por ordem de importância nutritiva para a planta temos o dióxido de carbono, uma fonte de nitrogénio, uma fonte de potássio e uma fonte de fósforo. Para quem me está a ver e já está por dentro do meio há algum tempo isto poderá ser básico, no entanto gostaria de acrescentar alguns aspetos, factos e curiosidades relativamente a cada nutriente.
O carbono é literalmente o “esqueleto” de qualquer planta, pois esta para crescer independentemente dos níveis dos restantes nutrientes, tem de ter acesso a uma fonte de CO2. Todas as enzimas, proteínas e outros compostos produzidos no interior da planta estão diretamente relacionados com a manipulação de hidratos de carbono provenientes do CO2, qualquer outra forma de carbono adicionada ao aquário, como por exemplo os compostos à base de carbono líquido têm de ser convertidos pela planta ou pelo ecosistema em CO2 antes de serem utilizados pela mesma.
A enzima responsável pela captação de CO2 da coluna de água é denominada de Rubisco que se encontra nas folhas das plantas. O único aspecto que acho importante ter em consideração em futuras abordagens relacionado com esta enzima é o facto de a sua produção estar relacionada com a disponibilidade de CO2 na água, ou seja num aquário onde não exista injeção de dióxido de carbono pressurizado e onde os níveis do mesmo no melhor dos casos correspondem aos níveis introduzidos pela aeração (cerca de 3ppm a uma temperatura de aproximadamente 25ºC), as plantas irão produzir mais desta enzima de forma a maximizarem a retenção de CO2. Do ponto de vista da eficiência podemos dizer que as plantas se tornam mais eficientes a absorver o CO2. Num aquário com estas condições, já maturado e estável, se hipoteticamente introduzíssemos um sistema de CO2 pressurizado, nos primeiros meses se todas as restantes condições fossem propícias ao crescimento, iriamos ter taxas de crescimento extremamente elevadas, pois as folhas das plantas têm uma elevada concentração desta enzima e iriam ter bastante carbono disponível na água. Pelo contrário num aquário onde temos um sistema de CO2 com um nível ideal (aproximadamente 30ppm), as plantas com o passar do tempo vão deixando de produzir uma quantidade tão elevada de Rubisco, tornando-se menos eficientes na obtenção do mesmo, é por isso que existem tantos aquários com CO2 pressurizado que ao final de alguns meses começam a dar problemas em que muitas das vezes está relacionado com o nível de CO2, porque para além da planta ficar menos eficiente na obtenção do mesmo, a massa vegetal certamente que aumentou e o aquariofilista muitas das vezes não acompanha a evolução do aquário, deixando os níveis de CO2 um pouco a desejar.
Existe outra forma de obtenção de dióxido de carbono: através dos bicarbonatos da água, ou seja do KH. No entanto apenas algumas plantas conseguem tirar partido da mesma, nomeadamente a planta que melhor o consegue fazer é a Vallisneria, apesar da enzima rubisco não conseguir retirar diretamente o carbono do bicarbonato, e não entrando em pormenores, as plantas que têm esta capacidade têm um mecanismo próprio denominado “bomba de protões” onde expelem pelas folhas iões de hidrogénio que através de reações químicas complexas conseguem obter o precioso CO2. Isto aos olhos da planta é um ato de desespero para obterem dióxido de carbono, visto que a energia que a planta gasta para o fazer é imensa e onde apenas algumas plantas como já referi têm esta capacidade, digamos de SOS. Nenhuma planta que recolha a este método estará, aos nossos olhos, saudável.
Resumidamente, o que acho que devem ter retido é que o CO2 é o nutriente mais importante para qualquer planta, pois sem este, nenhuma planta consegue reproduzir-se e crescer. Assim como plantas que estão em ambientes onde existe alguma privação de CO2 tornam-se mais eficientes na obtenção do mesmo, enquanto plantas que estão em ambientes digamos ideais a nível de CO2, com o passar do tempo tornam-se menos eficientes na obtenção do mesmo. E por fim algumas plantas têm a capacidade de obter dióxido de carbono através do KH da água, num ato de desespero.
Em relação ao nitrogénio, este é o nutriente normalmente mais importante para a planta introduzido pela fertilização líquida, a forma mais usual de o introduzirmos no aquário é sob a forma de nitratos, também conhecido por NO3, sendo este o meio mais seguro para toda a fauna do aquário, pois o nível de toxicidade do mesmo é bastante baixo quando proveniente de uma fonte inorgânica como é o caso de um fertilizante, sendo quase impossível matarmos qualquer peixe num aquário por introduzirmos demasiados nitratos de origem inorgânica, como em tudo existem limites, no entanto não tenho conhecimento de qualquer valor específico associado ao patamar de toxicidade.
Chegámos à parte de abordar a principal diferença a nível prático entre nitratos de origem orgânica e de origem inorgânica. Se tivermos como exemplo um aquário que esteja sobrepovoado ou onde alimentamos em excesso ou até mesmo um aquário onde raramente fazemos uma TPA e temos o azar de nos morrer um peixe, se formos fazer um teste de nitratos este irá acusar certamente um valor muito elevado (por exemplo 40 a 50ppm) e iremos tirar conclusões precipitadas e culpar os nitratos pela morte do peixe, e assim se começaram a gerar mitos relativamente aos nitratos. Se formos analisar bem esta questão, não foram os nitratos que mataram o peixe, mas sim certamente todo o excesso de sujidade e carga orgânica acumulados no aquário que degradam a qualidade da água e são consequentemente propícios a gerar doenças, pois todo aquele valor de nitratos foi proveniente de lixo decomposto que por sua vez foi transformado em amónia, nitritos e por fim nitratos. Basicamente e especialmente em relação aos nitratos, mas aplica-se a todos os nutrientes que são introduzidos na sua forma inorgânica (fertilizantes), o valor que nos poderá acusar nos testes não irá refletir a qualidade da água caso usemos fertilizantes, pois é possível ter uma água perfeitamente límpida, ideal para a fauna, e ter elevados níveis de nitratos sem nenhum problema. No entanto, noutra perspetiva uma água onde todos os nitratos são provenientes de origem orgânica é perfeitamente possível termos vários peixes doentes, pois neste caso um valor elevado é sinónimo de má qualidade da água. Penso que fui percetível na minha explicação. Não podemos confundir nitratos orgânicos com inorgânicos e relacionar da mesma forma os valores obtidos nos testes.
Voltando ao macro nutriente nitrogénio, este juntamente com o carbono são os dois nutrientes mais importantes que devemos ter no nosso aquário, são responsáveis pela criação da clorofila que é basicamente o pigmento responsável por absorver e converter a energia luminosa em energia química, utilizada posteriormente para o crescimento da planta. O nitrogénio também está diretamente relacionado com a construção e manutenção do ADN e RNA das plantas, basicamente é algo que queremos ter no nosso aquário de forma suficiente.
Também é muito usual a introdução diária de pequenas doses de amónio (NH4+), algo que só aconselho fazerem em aquários de ph < a 7ºC, de outra forma corremos o risco de este amónio se converter em amónia, basicamente perdendo o ião de hidrogénio e passando a NH3 que é muito mais tóxico do que o amónio. Não aconselho a fertilizar exclusivamente com amónio, visto que a planta não irá conseguir reter o mesmo como reserva, devido à sua ainda elevada toxicidade. O ideal é utilizarmos um fertilizante onde exista estas duas formas de nitrogénio: o nitrato, que como já referi quando inserido no seu estado inorgânico é a fonte mais segura de introduzirmos nitrogénio e o amónio que apesar da planta não o conseguir reter como reserva para o futuro, consegue absorve-lo e utiliza-lo na hora, sendo este de mais fácil absorção visto ser um composto carregado positivamente ao contrário do nitrato. Podemos olhar para o amónio como um redbull, desde que doseado em pequenas quantidades, para os mais entendidos na matéria qualquer valor entre 0.1 e 0.3 ppm de amónio diariamente num aquário super plantado com elevadas taxas de crescimento será um valor seguro. Existem diversas pessoas que chegam a dosear 0,6ppm sem qualquer problema, mas é algo que tem de ser bem avaliado e ponderado, pois aquários com ph alcalino, com plantas de crescimento lento com pouca luz e sem CO2 pressurizado não são os melhores candidatos.
Em suma, como fonte de nitrogénio temos os nitratos e o amónio. Num fertilizante líquido para um aquário densamente plantado de elevada exigência, se for possível optar por um fertilizante que tenha mais do que uma fonte de nitrogénio como amónio, nitratos e/ou ureia será o ideal para obter os melhores resultados. No caso de um aquário denominado de baixa manutenção, aconselho apenas a escolher um fertilizante que tenha exclusivamente como fonte de nitrogénio, os nitratos.
Passaremos então para o potássio. Normalmente no caso de não utilizarmos uma fertilização completa onde esteja incluído este nutriente, ou até mesmo em aquários denominados high tech onde existe muita luz e CO2 o que poderá aumentar bastante o metabolismo das plantas, só damos por falta do potássio quando começamos a ver pequenos buracos nas folhas ou um possível amarelar nas suas extremidades. Algumas plantas requerem maiores concentrações de potássio (isto também depende muito do setup em questão), assim de repente lembro-me da hygrophila pinnatifida. É uma planta que se não tivermos cuidados com os níveis de potássio rapidamente começa a aparecer nas folhas pequenos pontos amarelados, semelhantes a pequenos orifícios, pela minha experiência.
Em relação ao potássio em si e à sua importância na planta, de forma geral é utilizado na ativação de várias atividades enzimáticas, ajuda também na regulação osmótica das células da planta, e como é um composto que a planta normalmente consegue reter e armazenar em grandes quantidade por não ser tóxico para a mesma, devido a isto é dos macro nutrientes mais móveis dentro da planta, ou seja ela consegue distribuir o potássio para onde lhe faz mais falta e pelo facto deste ser uma partícula carregada positivamente também é utilizado para captar e transportar nutrientes carregados negativamente.
Basicamente podemos olhar para o potássio como um “estafeta” dentro da planta ou o equivalente à nossa corrente sanguínea.
Agora vou passar ao fósforo. Normalmente na aquariofilia qualquer fertilizante o introduz sob a forma de fosfato, também conhecido como PO4. Juntamente com o carbono e os nitratos, é usado na criação da enzima mais importante de toda a vida animal, a trifosfato de adenosina mais conhecida por ATP que fornece energia a todas as células, basicamente sem complicar muito novamente, podemos olhar para o ATP como combustível para a planta. Além disto, como não poderia deixar de ser o PO4 contribui para o crescimento das plantas, para o melhoramento da sua coloração e a enzima que anteriormente referi, a Rubisco, sem fosfatos não existiria, logo sem esta enzima a planta não conseguiria processar a luz. Além de tudo isto, como anteriormente referi podemos ter fosfatos de origem orgânica e inorgânica e não vou estar sempre a referir este aspeto para os restantes nutrientes. Um aquário com níveis elevados de fosfatos de origem orgânica, novamente poderá estar associado a uma má qualidade da água, no entanto relativamente aos fosfatos provenientes de fertilização, que eu tenha conhecimento, não existe qualquer nível de toxicidade, ao contrário dos nitratos provenientes de fertilização onde os níveis de toxicidade são tão baixos que é quase impossível atingirmos esses valores, no caso dos fosfatos esse aspeto nem se impõe, visto que não existe, segundo o meu conhecimento, qualquer nível de toxicidade. Basicamente quanto "mais" fosfatos introduzirmos num aquário melhor as plantas irão crescer, com isto não estou a dizer para despejarem o frasco inteiro para dentro do aquário e ficarem com uma piscina de fosfatos, pois as plantas nunca na vida iriam conseguir consumir toda essa concentração, temos sempre de tentar dosar os nutrientes fosfato incluído de forma equilibrada para o nosso aquário.
A ideia que eu vos quero transmitir é que não tenham receio de introduzir fosfatos nos vossos aquários plantados, porque além de tudo o que já referi, o fosfato é um elemento carregado negativamente que facilmente poderá reagir no aquário com outro composto como por exemplo com o Ferro que é um composto carregado positivamente e deixará de estar disponível para as plantas, é por isso que é importante garantir bons níveis deste composto no aquário, seja através de fertilização liquida, seja através de substratos férteis porque além da sua elevada importância para todas as funções vitais numa planta, facilmente reage e deixa de estar disponível para as mesmas.
Chegámos então aos micro nutrientes. Se formos mesmo meticulosos seriam tantos que estaria aqui a enumera-los durante bastante tempo. Felizmente grande parte deles vêm gratuitamente em quase todas as águas das redes públicas pelo menos aqui em Portugal, pois são precisos em tão pouca quantidade que facilmente atingimos os valores ideais. No entanto, existem alguns que são normalmente os mais utilizados na fertilização líquida de micro nutrientes, onde o principal será o Ferro, mas que normalmente vem acompanhado de Manganês, Molibdénio, Boro, Cobre, Zinco e por vezes de cálcio e magnésio, no entanto estes dois últimos irei abordar mais à frente.
Podemos olhar para todos estes micro nutrientes como vitaminas, ou seja é óbvio que são importantes para as plantas da mesma forma que as vitaminas são essenciais para nós, no entanto em comparação os macro nutrientes são muito menos essenciais, principalmente porque as plantas necessitam destes em muito menor quantidade, se entrarmos em comparações, de forma geral a planta necessita de 500 vezes mais nitratos do que Ferro.
Mas focando-nos no Ferro e também no manganês, estes serão os únicos micro nutrientes, onde principalmente o ferro, que dependendo da montagem em si, podemos vir a ter carências, pois qualquer planta de forma geral absorve 100 vezes mais ferro do que qualquer outro micro nutriente.
A carência de Ferro ou manganês normalmente é caracterizada por novas folhas de tons amarelados ou pálidos, pois se a concentração destes no aquário for baixa (e ao contrário dos macro nutrientes, os micro nutrientes não são nada móveis no interior da planta) a folha mais recente não os irá conseguir absorver, ou seja por muito que a planta queira transportar o Ferro e o manganês depositado numa folha adulta, não o irá conseguir. Esta é uma das razões pela qual a carência destes nutrientes normalmente é observada nas folhas novas. Um bom exemplo completamente oposto será a carência de nitratos, que normalmente é caracterizada pelo amarelar de uma folha adulta, pois a planta consegue transportar os nitratos para onde mais necessita, neste caso a título de exemplo uma folha nova.
Em relação a todos os fertilizantes de micro nutrientes, de uma forma geral, muitos deles estão dependentes de agentes quelantes, principalmente o Ferro que devido a ser um composto carregado positivamente facilmente irá reagir com qualquer outro composto do aquário com carga negativa, temos o famoso exemplo do Ferro reagir com os fosfatos, criando fosfato ferroso, em que basicamente aos olhos da planta com esta reação, parte do ferro e parte do fosfato deixarão de estar disponíveis para absorção imediata. Basta usarmos como ponto de referência experiências do nosso dia-a-dia onde o ferro oxida facilmente, o qual denominamos de ferrugem, que num ambiente aquático poderia ser tóxico. É por isto que muitos dos fertilizantes de micro nutrientes dependem de agentes quelantes para garantir que as plantas conseguem absorver estes nutrientes antes dos mesmos reagirem na água e serem desperdiçados. O principal agente quelante encontrado nos fertilizantes é o EDTA devido ao seu baixo custo e excelente ligação com o Ferro que no âmbito da aquariofilia é mais do que suficiente para o que pretendemos. O principal problema com o EDTA será a sua utilização em aquários com ph muito alcalino e de dureza elevada onde a estabilidade do ferro no EDTA é comprometida. Quando esta ligação é quebrada, o ferro fica novamente livre e pronto para reagir com qualquer outro composto de carga negativa. Novamente, em relação à reação do ferro com o fosfato é fácil sabermos se está a acontecer, pois ao introduzir o fertilizante de micro nutrientes, se virmos a água a ficar com uma tonalidade esbranquiçada no momento da aplicação é sinal que ambos os compostos estão a reagir entre si, o que na prática se não tivermos hipótese de adquirir outro fertilizante, basta adicionar mais, visto que neste tipo de reações nunca todo o ferro que é introduzido é totalmente destruído, assim como todo o fosfato presente na água. Outro fator a ter em conta que muitas das vezes é ignorado tem a ver com a qualidade do fertilizante em si e do agente quelante, atualmente no mercado é possível encontrar vários fertilizantes à base de quelantes EDTA que funcionam bem até ph de 9º. A título de curiosidade como outros agentes quelantes temos o DTPA, o EDDHA e o HEEDTA que são muitos mais estáveis em ph alcalino, mas que comportam custos bastantes mais elevados que muitas das vezes não compensa a diferença de preços, além de que alguns dos últimos referidos, no momento da aplicação poderão tingir a cor da água temporariamente. As plantas apenas têm interesse pelo ferro em si e não pelo agente quelante, daí o EDTA ser o mais utilizado pois em 90% dos casos serve o seu propósito de “proteger” o ferro até ao momento da sua absorção pela planta, e quem diz o ferro diz qualquer outro micro nutriente.
Resumindo, no momento da aplicação dos micro nutrientes é preferível aplicarmos os mesmos um pouco depois de iniciar o fotoperíodo, pois as plantas precisam de tão pouca quantidade destes que no espaço de 1 a 2horas certamente irão absorver toda a quantidade de micro nutrientes necessária para o resto do dia, sendo que os restantes, mesmo que reajam, não temos grandes problemas.
Quis abordar o cálcio e o magnésio, que são também considerados de micro nutrientes (inclusivamente há quem lhes chame os macros micros ou micros macros) pois as plantas precisam destes em maior quantidade, em comparação com os micro nutrientes. A razão pela qual quis separar a abordagem destes dois nutrientes dos restantes micros prende-se com o facto de utilizarmos principalmente testes de gh, dureza total, que medem a junção destes dois nutrientes, sendo impossível saber o rácio entre eles, por exemplo podemos ter um gh de 4 com 90% de cálcio e 10% de magnésio ou vice-versa.
Aqui em Portugal raramente é necessário, principalmente na zona onde eu vivo no Barreiro, adicionar cálcio ou magnésio, mas através das análises de água da rede da minha zona eu sou um dos “coitados” que sofre com excesso de cálcio na água e pouco magnésio.
No que diz respeito ao magnésio, este tem um papel principal na fotossíntese, visto que juntamente com o carbono e o nitrogénio, como referi anteriormente, é essencial para a produção de clorofila, logo rapidamente podemos concluir que se uma planta estiver carente de magnésio, a sua eficiência a transformar energia luminosa em energia química será comprometida. Além disto, o magnésio juntamente com o fosfato é utilizado no transporte e na criação de reservas de energia das plantas e na ativação de várias atividades enzimáticas onde podemos destacar a regulação e reciclagem de subprodutos.
De forma geral, a carência de magnésio é consonante com qualquer outra carência, principalmente de macro nutrientes, onde iremos ter fraco crescimento de forma geral, apesar deste nutriente não ter o estatuto de macro nutriente, nem ser necessário em tanta quantidade.
Agora a parte que provavelmente muitos de vós estiveram à espera, quais são os valores ideias de cada nutriente a manter num aquário? Quantas vezes devemos fertilizar por semana ou por dia? Lamento informar-vos mas infelizmente não existe nenhuma resposta simples para todas estas questões. Basta olharmos para o mundo da aquariofilia, onde claramente a vertente dos plantados é a que gera mais controvérsia, dilemas e muitas das vezes desgosto.
Existem várias ideologias sobre a fertilização líquida por exemplo o Tom Barr é famoso pelo método Estimative Index, mais conhecido pela sigla EI. A parte fantástica deste método é que não está preso a nenhuma marca de fertilizantes, nem a nenhuns valores nutritivos, em parte. Existem os valores recomendados pelo próprio Tom Barr que convido-vos a fazer uma pesquisa pela internet para verificarem os mesmos, no entanto depois de entendermos a filosofia do EI podemos e devemos modificar consoante as nossas necessidades. Basicamente e não querendo estar a focar este texto no método de fertilização EI, temos de garantir que aos olhos das nossas plantas todos os nutrientes que elas necessitam se encontram na água de forma ilimitada. É aqui que devemos começar pelos valores de referência fornecidos pelo Tom Barr, o que poderá ser feito com qualquer fertilizante ou até mesmo utilizando sais férteis onde podemos fazer os nossos próprios fertilizantes com os nossos próprios valores.
Depois do que já partilhei convosco é fácil agarrar em qualquer fertilizante, verificar a sua composição, quais os nutrientes que tem e qual a sua concentração, e assim tentar ajustar a dosagem face aos valores que pretendemos alcançar com o plano de fertilização EI. É verdade que e infelizmente que grande parte dos fabricantes de fertilizantes não revelam ao consumidor final, neste caso nós aquariofilistas, qual a concentração de cada nutriente no fertilizante face à dosagem recomendada. No caso de sabermos qual a concentração introduzida no aquário através da dosagem recomendada conseguimos de uma forma simples controlar os valores nutritivos que estamos a introduzir no aquário, o que simplifica bastante o nosso trabalho, visto que a partir do momento em que garantimos que por muito que as plantas consumam, nunca nenhum nutriente se esgota, é meio caminho andado para o sucesso a crescer plantas, no contexto de Aquascaping sem sempre o que pretendemos é crescer plantas desmesuradamente.
No caso dos fertilizantes que adquirimos não nos revelarem a concentração de cada nutriente na dosagem, teremos de utilizar os testes existentes no mercado para os diferentes compostos, onde destaco o teste de nitratos, fosfatos e Ferro, por exemplo actualmente a marca de fertilizantes que mais gosto de utilizar é a MasterLine, pois além de indicar a concentração de cada nutriente na dosagem de forma a podermos saber exactamente o que estamos a dosear, existem vários tipos de All in One que podemos adaptar melhor ao nosso aquário plantado. Neste caso a ideia é dosear diariamente pequenas doses de nutrientes que as plantas conseguem absorver tudo na totalidade, uma das grandes vantagens deste metodo é conseguir controlar o crescimento das plantas e conseguir obter melhores colorações especialmente de plantas que necessitam de alguma restrição de NO3 para ganhar cor.
De uma forma breve, qualquer um destes testes seja qual for a marca, até porque muitas das vezes muda a marca e os reagentes são os mesmos, nem sempre apresentam valores reais, pois existem na água bastantes compostos que facilmente adulteram os valores. A forma como eu vos aconselho a todos a utilizarem os testes é bastante simples: acusa pouco ou acusa muito. No caso de acusar pouco e termos plantas que apresentam carências nutritivas é necessário aumentar a dosagem do fertilizante, pois como já referi não tenham medo de fertilizar os vossos aquários, até porque o velho mito de que excesso de nutrientes na água causa algas, está mais do que comprovado de que não passa de isso mesmo: um mito. Isto leva-nos à grande questão: qual será o melhor rácio nutritivo a aplicar nos nossos aquários? Pois bem, a partir do momento em que garantimos que todos os nutrientes estão presentes de forma ilimitada para as plantas, este problema e utilizando uma expressão portuguesa “cai por água abaixo”, pois como é do senso comum, espero eu, cada planta irá ter o seu próprio rácio nutritivo, umas poderão absorver mais ou menos nutrientes.
Ainda sobre o EI ou Estimative Index para os mais iniciados não ficarem totalmente perdidos no assunto posso facultar-vos alguns dos valores que atualmente são considerados de senso comum a introduzir no aquário semanalmente. Reparem bem no que disse, a introduzir semanalmente no aquário, não me estou a referir a agarrarem nos vários testes de agua e irem testar as várias concentrações porque aqui iriamos estar a sujeitarmo-nos aos erros apresentados pelos testes que facilmente nos poderiam levar a consequentes erros sob erros. Imaginem um caso muito rápido do meu teste de nitratos acusar 50ppm e as plantas apresentarem carências de nitratos. Possivelmente neste caso muitos de nós iriamos seguir cegamente o valor do teste e ignorar por completo os sinais que a planta nos está a transmitir. Num aquário plantado a meu ver os nossos melhores testes são as plantas e as algas, ou espero eu com este texto, a ausência quase total delas.
Então ora bem aqui ficam alguns valores referência para crescer plantas com o sistema ou ideologia
CO2 – 25 a 35ppm NO3 – 10 a 50ppm K – 10 a 40ppmPO4 – 1 a 5ppm Ferro – 0.2 a 2ppm Cálcio – 10 a 40ppm Magnésio – 2 a 10ppm
Como devem ter reparado são valores muito vagos, em que a única coisa que o único objetivo que têm em comum é evitar carências ou que se esgotem no aquário, pois sim são as carências nutritivas que muitas das vezes geram algas nos aquários, visto que de nada nos serve ter um excesso de um nutriente quando existe uma carência. Aconselho-vos também a fazer uma pesquisa no Google ou no youtube pois existem vários vídeos e informação bem estruturada sobre a lei de Liebigs. Mas muito resumidamente a planta irá sempre ajustar a sua taxa de crescimento em relação aos nutrientes pelo nutriente mais escasso.
Mais ligado agora ao Aquascaping e não tanto a crescer plantas, muitas das vezes não é sensato utilizar o sistema Estimative Index, pois este gera grandes níveis de crescimento e muitas das vezes em aquários de Aquascaping o que queremos é ter as plantas no tamanho certo com o formato e cores “certas”, nestes casos na minha opinião a melhor forma de abordar a questão da fertilização é dosear pequenas doses diárias de nutrientes de forma a que as plantas tenham o suficiente para crescer todos os dias mas sem terem uma fonte ilimitada de nutrientes na coluna de água. Seja com fertilizantes “All in One” como referi anteriormente quando falei da MasterLine, seja fertilizar com nutrientes por separado com podemos encontrar também na MasterLine, Seachem, Aquavitro, Yokuchi, algumas marcas para não estar a enumerar todas, a ideia aqui é a mesma controlar o crescimento das plantas sem que as mesmas tenham sinais de carências nutritivas e evitar que cresçam bastante ao ponto de estarmos sempre a ter de podar o nosso aquário. A ideia aqui é disfrutar deste fantástico hobby e não estar sempre a ter de podar as plantas. Neste sistema de fertilização é recomendável caso existam algum sinal de carência testar a água do nosso aquário de preferência com testes de qualidade, no caso de estar tudo saudável e de não existir visivelmente nenhum sinal de carência é continuar a fertilizar seguindo as recomendações do fabricante.
Abordando agora o assunto das algas nos aquários de uma forma extremamente simples, pois existe uma variedade imensa das mesmas, em que os motivos que as desencadeiam são os mais variados, no entanto pela minha experiência 90% delas estão relacionadas com falta de nutrientes num aquário onde existe excesso de luz ou então devido a uma enorme sujidade presente nos aquários com elevados níveis de carga orgânica, o que consequentemente é muitas das vezes sinónimo de um filtro biológico completamente desregulado, onde muitas das vezes encontramos baixos níveis de oxigénio devido à decomposição da carga orgânica por parte das bactérias aeróbias e em alguns casos constantes ou possíveis picos de amónia, resultante de uma má manutenção do aquário que em breve irei abordar, relativamente às TPA.
Todas as algas antes de serem visivelmente observáveis por nós já existiram no aquário sob a sua forma de esporos, esporos estes que não conseguimos ver a olho nu e que se alojam um pouco por todo o aquário, incluindo na superfície das folhas, troncos, rochas, por aí. Pouco se sabe ao certo o que leva um esporo de alga a desenvolver-se ou a evoluir para a alga propriamente dita, mas especula-se, como em quase tudo na aquariofilia, que esteja ligado a possíveis picos de amónia e com incidência de luz nas mais diversas combinações. Basicamente se tivermos um aquário onde exista bastante amónia e não exista luz, dificilmente o esporo da alga entrará em metamorfose.
Numa situação completamente oposta, onde exista luz suficiente para o desenvolvimento da alga, o nível de amónia presente na água, quando mais elevado for mais rapidamente a mesma se irá desenvolver e propagar. Atacando novamente o mito de que a adição de fertilizantes de forma equilibrada gera algas, além dos mais variados exemplos de aquários de sucesso onde na prática o mito vai por água abaixo, estes esporos de algas na sua maioria simplesmente não se conseguem alimentar dos vários compostos inorgânicos que introduzimos na água, desde de nitratos, fosfatos, potássio, etc.
Agora depois do esporo da alga se desenvolver na alga, estas sim dependendo da espécie, irão alimentar-se de todo o tipo de nutrientes disponíveis na água. Esta situação leva a que a maioria de nós corte parcialmente ou completamente toda a fertilização na esperança de eliminar a alga, no entanto isto é completamente errado, pois se cortarmos a nutrição do aquário estamos a agravar o problema, visto que as plantas irão deixar de conseguir realizar a fotossíntese decentemente e de uma forma geral plantas saudáveis inibem o crescimento de algas, pois muitas destas libertam algumas substâncias que inibem o desenvolvimento de qualquer tipo de alga, além de que uma planta saudável em que as suas paredes celulares estejam fortificadas dificilmente irá libertar para a água o seu conteúdo à base de proteínas, hidratos de carbono e açucares que muitas das vezes é utilizado pelo esporo da alga na folha da planta para se desenvolver.
Volto novamente a frisar que plantas saudáveis é sinónimo de ausência de algas em 99% das vezes.
Por muito que gostasse de vos ajudar a combater uma determinada espécie de alga, aqui a origem da mesma poderá dever-se a vários fatores que terão de ser analisados individualmente, mas uma coisa é certa parar a fertilização não é solução, apenas em casos extremos a solução poderá passar por um blackout, em que apenas se para com a fertilização porque não haverá luz para as plantas consumirem nutrientes e terão de se manter durante o período de blackout graças às suas reservas nutritivas.
De uma forma geral, em caso de boom de algas, devemos achar a origem do problema e corrigir, pois se apenas adquirirmos produtos para as eliminar apenas estaremos a “colocar pensos rápidos sob o assunto”, até porque depois de garantirmos níveis ideais de nutrição no aquário seja pelo metodo EI ou através de pequenas doses diarias, grande parte destas algas nem se desenvolve. Como isto é tudo muito complexo, outros fatores como luz, eficiência de filtragem e circulação de água entram em jogo. Apenas para vos dar uma ideia de algumas das algas relacionadas com baixos níveis de fertilização temos as GSA (green spot algae) que são basicamente pequenos pontos verdes que se desenvolvem nas folhas das plantas ou vidros do aquário que normalmente só as conseguimos remover raspando, sendo um sinal claro de carência de fosfatos para aquele atual setup.
Temos, também, as BGA mais conhecidas por cianobactérias que muitas das vezes estão relacionadas com baixos níveis de nitratos e excesso de lixo organico. As restantes estirpes de algas muitas das vezes estão relacionadas com um desequilíbrio entre CO2 e luz ou sujidade acumulada e fraca circulação.
Quero agora abordar um assunto especialmente para as montagens que estão dependentes essencialmente de fertilização líquida e em casos de montagens high tech que se prende com a circulação de água.
Numa montagem onde toda a nutrição disponível está situada no substrato, as plantas através das raízes conseguem ter acesso a estes nutrientes, mas é rara a montagem que durante a sua existência fica restrita aos substratos férteis, pois estes são finitos e muitas das vezes, passados alguns meses, começam a aparecer as primeiras carências nutritivas. A abordagem correta, a meu ver, porque as plantas neste aspeto apenas têm interesse por nutrientes, será a utilização de substrato fértil combinado com uma adequada fertilização líquida. Desta forma, conseguimos aumentar o tempo de vida útil do substrato fértil e prolongar, teoricamente, a montagem por um tempo ilimitado.
Nestes casos onde estamos dependentes da fertilização líquida, a circulação de água é algo que não pode ser levado de ânimo leve, se o nosso objetivo é o sucesso sem grandes complicações. Para isto existe a famosa regra de 10 vezes a litragem do nosso aquário, de forma a garantir que a corrente gerada pelo filtro é suficiente para movimentar toda a massa de água do nosso aquário, distribuindo os nutrientes, incluindo o carbono, de uma forma equitativa por todo o aquário. Aqui temos de ponderar bastante qual a melhor abordagem a nível de circulação de água, que é um assunto que também daria para uma conversa bastante longe, mas que no essencial prende-se com a não existência de anulações de circulação de água, ou seja ter correntes opostas na mesma direção não será benéfico, pois grande parte desta energia cinética seria anulada.
A circulação deverá ser suficiente para quebrar a superfície tensional da folha, de forma a permitir que a planta tenha acesso aos nutrientes. De nada nos serve ter um aquário que mais se parece com uma piscina de fertilizante, se não houver circulação suficiente para fornecer às plantas nutrientes na quantidade necessária para o seu ritmo de crescimento que estará obrigatoriamente dependente da intensidade da luz e da disponibilidade de CO2 que em parte também está dependente da circulação. É por isto que nos valores nutritivos que acima referi, a diferença entre o menor e o maior valor é considerável, pois dependendo da montagem em si e da circulação poderá ser necessário saturar mais a água com nutrientes, de forma a aumentar o crescimento das plantas.
Basicamente todas as folhas emersas irão estar rodeadas por uma barreira aquosa que é mantida pela tensão estática da folha.
Quanto mais fraca for a circulação de água, mais grossa irá ser esta barreira que separa a planta dos preciosos nutrientes disponíveis na água, daí a circulação ser tão importante porque quanto melhor for esta, mais fina esta barreira se irá tornar e mais rápida será a troca de nutrientes, muita das vezes por troca osmótica entre a água do aquário e a folha. Resumidamente, a circulação de água que transporta os nutrientes terá de saturar esta barreira para que a planta consiga absorver os ditos nutrientes.
Por fim algo muito importante são as trocas de água, pois as plantas aquáticas não guardam no seu interior os subprodutos da fotossíntese, o que seria bastante prejudicial para a planta. Esta faz uso dos compostos de que necessita e em vez de perder energia a converte-los para posteriormente serem armazenados, muitos deles são expelidos pela mesma, muitas das vezes sob forma de proteínas, hidratos de carbono e lípidos.
Como é obvio muitos de vocês devem ter aquários de sucesso onde raramente fazem TPA’s, assim como muitos de vocês devem ter aquários de sucesso onde possivelmente fazem TPA’s de 50 a 60% semanalmente. Como eu costumo dizer para cada exemplo onde algo corra bem, existem 50 outros onde a mesma coisa correu mal e vice versa, mas uma coisa é certa quanto maior for a taxa de crescimento do metabolismo das plantas, mais sub produtos irão ser expelidos pelas plantas, o que irá contribuir para o aumento da carga orgânica do aquário, o que rudemente falando se traduz em lixo. Muita desta carga orgânica será decomposta pelas várias bactérias existentes no nosso aquário, mas muita desta terá de ser removida via TPA. Como é óbvio aquários denominados low tech onde existem plantas de crescimento lento associadas a luz fraca e baixos níveis de CO2, esta acumulação de carga orgânica aliada de uma boa filtragem poderá ser suficiente para manter uma aquário saudável apenas com uma TPA mensal. Em contra partida, e não querendo estar a repetir-me, num aquário com uma forte intensidade luminosa e taxas de crescimento astronómicas irão ser expelidas para a água grandes quantidades de sub produtos, muitas das vezes o biofilme que encontramos à superfície do nosso aquário é proveniente destes sub produtos libertados pelas plantas, principalmente neste caso por lípidos. Isto poderá ser um sinal de que as nossas plantas estão a realizar bem a fotossíntese. Agora, toda esta carga orgânica irá ser decomposta, processo este que utiliza bastante oxigénio, e quando o equilíbrio aqui é comprometido podemos ter picos de amónia, que além de atingir níveis tóxicos vão desencadear o aparecimento de algas, mesmo tendo em consideração que algumas plantas irão utilizar o mesmo como fonte de nitrogénio.
Ao contrário do que se pensa as TPA em aquários deste género não são essencialmente para remover os excessos de nutrientes, mas sim para garantir a água limpa, livre de toxinas e sujidade.
Do ponto de vista do total de sólidos dissolvidos, mais conhecido por TDS é fácil termos esta noção, a título de exemplo podemos ter um aquário com um TDS após uma TPA por exemplo de 100 onde não se fertiliza e ao fim de uma semana se formos medir, o valor está perto dos 200. É fácil concluir que muito possivelmente este aumento é derivado da acumulação semanal dos vários subprodutos desde plantas, dejetos de peixes, excessos de alimentação, etc, ou seja é um aumento vamos chamar “negativo”. Agora pegando no mesmo exemplo num aquário onde fertilizamos e que após a TPA tem um TDS de 100 e passado um dia de fertilização apresenta um TDS de 150, muito deste aumento deve-se única e exclusivamente à diluição na água do aquário do nosso fertilizante, ou seja a água certamente continua límpida, livre de sujidade e toxinas, peixes saudáveis e com o mesmo valor de TDS do aquário sujo.
Resumidamente, temos sempre que ajustar as TPA dos nossos aquários ao que a montagem nos exige. Um bom ponto de partida será uma tpa semanal de 50%, posso dizer-vos que nos meus aquários e porque tenho pequenos peixes de cardume e invertebrados consigo fazer tpa semanal de 60 a 70%, pois assim consigo manter o meu aquário sempre limpo, livre de doenças, com plantas saudáveis e sem algas. A limpeza de um aquário e dos seus respetivos filtros é algo que não pode ser descurado, especialmente em montagens super exigentes. Isto tudo de um ponto de vista de um aquário plantado.
Texto elaborado por Ivo Soares
Seachem Day
No próximo dia 27 de Julho das 10h-13h irá decorrer na Soluções Aquáticas o evento "Seachem Day"
Este evento será uma oportunidade de esclarecer dúvidas, questões técnicas ou apenas desfrutar de um convívio entre aficionados com o Paulo Sérgio (Representante internacional da Seachem)
Este evento será também uma celebração da Soluções Aquáticas pois será a primeira loja de Aquascaping em Portugal a realizar a certificação Platina da Seachem nos Estados Unidos da America em Madison durante a semana de 22 a 25 de Julho, representada pelo Ivo Soares.
Na Soluções Aquáticas estamos sempre à procura de melhorar os nossos conhecimentos técnicos de forma a poder esclarecer as dúvidas dos nossos clientes de uma maneira mais profissional e esta certificação era algo que já desejávamos há bastante tempo e trabalhamos para isso todos os dias, por isso nada melhor do que um dia dedicado à Seachem juntamente com o Paulo Sérgio.
Haverá sorteios e descontos em produtos Seachem, não percam!
Um obrigado especial a toda a equipa da Aquatlantis e da Seachem em especial ao Miguel Vaz e ao Paulo Sérgio pela confiança depositada na nossa loja.
O meu aquário desenvolveu alga BBA* e agora o que faço?
*Black Beard Algae
Esta é uma pergunta que frequentemente nos colocam na Soluções Aquáticas e para a qual temos resposta, mas nem sempre é fácil passar a mensagem de forma eficiente, pois a origem desta alga é algo complexa e a sua resolução também.
A origem desta alga está de forma geral relacionada com duas situação distintas. A primeira prende-se com oscilações de CO2. Da nossa experiência esta não é usualmente a razão do seu aparecimento mas não custa nada tentar evitar estas oscilações de CO2.
Entenda-se por oscilações de CO2, uma variação brusca da concentração deste gás na água durante o fotoperíodo, as principais causas que levam a este acontecimento são normalmente excesso de aeração à superfície do aquário causada pela saída de água do filtro ondular em excesso fazendo com que todo ou quase todo o CO2 injetado artificialmente na água saia de solução e volte para a atmosfera.
Entenda-se que num aquário plantado com CO2 a renovação do Oxigénio na água não deve ser feita pela aeração da superfície, mas sim pelas plantas durante a fotossíntese, processo que resumidamente transforma CO2 (dióxido de carbono) em O2 (Oxigénio).
Num aquário com CO2 com injeção artificial normalmente através de sistemas pressurizados, estamos a injetar na água uma concentração de CO2 (mais ou menos 30ppm) que à pressão atmosférica não estariam presentes na água, logo se tivermos sempre a agitar a coluna de água este irá escapar para o ar. Um bom exemplo para perceber isto será por exemplo enchermos um copo com uma bebida gaseificada (cerveja, sumos, águas com gás) e se agitarmos o copo com uma colher, todo esse gás irá sair do líquido para o ar por uma questão de entropia.
Outra razão menos usual, mas ainda ligada com possíveis oscilações de dióxido de carbono, será ligar o sistema de CO2 depois de ligarem as luzes ou até mesmo quando se liga tudo ao mesmo tempo, pois neste caso o valor de CO2 irá estar a aumentar progressivamente até chegar ao valor máximo possível no aquário e como as luzes já estão ligadas irão existir oscilações de CO2 durante o fotoperíodo. É por isso que recomendamos sempre ligar o sistema de CO2 1h antes de ligarem as luzes, de forma a poder saturar a água do aquário com CO2 antes das mesmas ligarem, minimizando estas oscilações.
Mas como referi inicialmente este raramente é o caso que origina a BBA nos nossos aquários, na minha opinião o que origina a BBA num aquário plantado é o excesso de lixo orgânico em decomposição e depositado no aquário.
Em aquários “High Tech” ou aquários com um metabolismo rápido, usualmente estamos a falar de aquários com substratos férteis, adição de fertilizantes líquidos, iluminações intensas e sistemas de CO2 pressurizados, todo o ritmo de crescimento nestes sistemas é elevado, e as plantas aquáticas apesar de oxigenarem a água do aquário, o que contribui para o aumento do REDOX que por sua vez ajuda as bactérias nitrificadoras a aumentar a sua taxa de decomposição , estas também acabam por libertar para a água várias substâncias orgânicas que podemos considerar poluentes, como proteínas, carbohidratos e enzimas.
Num aquário com pouca luz e sem CO2, a velocidade de crescimento é lenta, logo o consumo de nutrientes onde o CO2 está incluído também é lento, o que significa um baixo metabolismo e uma baixa taxa de expulsão de resíduos orgânicos, o que permite manter um aquário equilibrado neste aspeto durante mais tempo. Aqui resta-nos gerir bem os restantes fatores de manutenção do nosso aquário, como as trocas de água, limpeza e não alimentar excessivamente os peixes ao ponto de haver restos de comida pelo aquário. Neste tipo de aquários os únicos agentes poluidores vão ser os peixes numa fase inicial e os sub produtos das bactérias nitrificantes.
Pelo contrário, aquários com injeção de CO2 , fertilizantes e luz intensa aumenta o metabolismo das plantas o que leva à excreção de grandes quantidades de carbohidratos, proteínas e enzimas para a coluna de água, além de tudo o resto que já tínhamos num aquário com pouca luz, CO2 e nutrientes.
E aqui começa um problema, se a nossa “cultura” de bactérias for insuficiente e/ou o aquário tiver uma má manutenção a nível de higiene, nomeadamente poucas trocas de água, pouca ou nenhuma limpeza do filtro, não aspirar restos de comida ou excrementos de peixe, juntamente com os subprodutos da fotossíntese das plantas, as proteínas e carbohidratos, vão-se acumular no nosso aquário e as bactérias nitrificantes não vão conseguir acompanhar este ritmo de produção de lixo orgânico...
Vamos acabar por ter um aquário com excesso de orgânicos em decomposição, esta decomposição consome também bastante oxigénio o que poder originar flutuações de amónia (devido à função das bactérias abrandar), e tudo isto junto origina algas BBA entre outras, mas vamos apenas focar-nos na BBA.
Ao contrário das plantas, as algas BBA conseguem alimentar-se de compostos orgânicos presentes na coluna de água, por isso manter plantas saudáveis é meio caminho para ter um aquário sem algas, pois estas produzem produtos químicos alopáticos que reduzem significativamente o seu crescimento.
Agora quando temos plantas fragilizadas onde as suas estruturas celulares estão danificadas, usualmente são nestes pontos que as BBA aparecem nas plantas, uma zona muito frequente onde isto acontece é nas extremidades das plantas, ou no rebordo pois é uma zona onde facilmente a estrutura celular é danificada e liberta para a água todo o seu conteúdo orgânico e aqui aparece a BBA para se alimentar destes compostos.
Também certamente todos já tivemos BBA na saída de água dos filtros ou Wave Makers pois aqui existe uma constante renovação de lixo orgânico presente na água, daí também se dizer que a BBA aparece quando temos excesso de circulação de água, tecnicamente não é o excesso de circulação da água, mas sim o excesso de lixo orgânico a ser constantemente bombardeado naquela zona.
Também é usual em aquários onde o crescimento das plantas por outros motivos já não ser o melhor e após uma poda começar a aparecer BBA nas zonas onde cortámos as plantas, novamente aqui o que aconteceu foi que a planta não teve capacidade de renovar as estruturas celulares danificadas e acabou por libertar gradualmente para o aquário substâncias orgânicas que a BBA irá utilizar como alimento. Em casos que as plantas estão saudáveis estas rapidamente regeneram e não permitem o crescimento de BBA.
Em suma, as BBA podem alimentar-se de substâncias orgânicas libertadas pelas plantas, e de substâncias orgânicas derivadas do lixo no aquário.
Então o que podemos nós fazer para evitar isto?
ErRADicação!
Remoção,
Absorção
Decomposição
São os três inimigos da BBA!
- Remoção
Existem coisas que podemos fazer “gratuitamente”, como efetuar trocas de água semanais entre os 30 a 60%. Enquanto trocamos a água tentar ao máximo aspirar o lixo depositado no substrato, hardscape e plantas, desta forma é menos este lixo que será decomposto pelas bactérias.
Outro aspeto essencial é a limpeza do filtro frequente e de forma correta (assunto para outro texto)
Tudo isto é remoção de orgânicos do nosso aquário, e é algo que só depende de nós.
- Absorção
No capítulo da absorção felizmente hoje em dia as marcas de aquariofilia têm produtos incríveis que nos podem ajudar a manter durante muitos anos os nossos aquários impecáveis, produtos como o Masterline Purity, Seachem Purigen, Aquavitro Purfiltrum, são resinas que absorvem orgânicos presentes na coluna de água. Recomendamos todos os nossos clientes a utilizar um destes produtos na quantidade adequada para a montagem em causa (contactar a Soluções Aquáticas para recomendação). Aqui vão existir vários fatores que podem aumentar a quantidade destas resinas a ser recomendada, aquários com muitas madeiras vão necessitar de maior quantidade, do que aquários só com pedras, pois a madeira é um orgânico em decomposição lenta.
O que estas resinas vão fazer é estar constantemente a absorver lixo orgânico do vosso aquário que irá ficar retido na resina, por sorte estas resinas dão para regenerar e voltar a utilizar.
Apenas convém ter uma noção de mais ou menos quanto tempo duram para podermos adquirir novas ou regenerar as mesmas antes de ficarem saturadas.
- Decomposição
E por último, mas não menos importante, temos a decomposição.
Existem na Soluções Aquáticas vários produtos que têm como base bactérias que recomendamos que utilizem frequentemente pelo menos 1 vez por semana após a troca de água, de forma a manter uma boa cultura no vosso aquário capaz de dar resposta à produção de lixo orgânico.
Aqui podemos resumir o assunto em bactérias para o filtro e bactérias para o aquário, isto é uma abordagem muito simples mas nada interessa complicar um assunto que já por si é complicado!
Bactérias para o filtro usualmente estamos a falar de Nitrossomonas e Nitrobacter e possivelmente outras bactérias anaeróbias dependendo do filtro e da filtração biológica que utilizarem.
Existem muitas outras estirpes de bactérias que não vão aparecer no vosso aquário por magia, temos de ser nós a introduzi-las e a manter a colónia viva, estas bactérias têm preferências em vários aspetos.
Nitrossomonas e Nitrobacter: temperatura ideal entre 25ºC e 30ºC, a 18ºC a decomposição é reduzida em 50%, a 4ºC a decomposição pára por completo e a 0ºC toda a colónia morre. Esta informação é útil para durante o inverno termos atenção em não deixar o filtro parado a baixas temperaturas. De forma geral, as Nitrobacter são mais sensíveis a variações de temperatura (atenção a possíveis picos de nitritos).
O pH ideal para as nitrossomonas é entre 7,8 e 8,0 e para as Nitrobacter é entre 7,3 a 7,5. Evitar deixar o pH dos nossos aquários chegar perto de 6,0, pois aqui toda a nitrificação irá parar até as bactérias se habituarem a estes novos parâmetros, apesar de nunca terem o mesmo rendimento do que em situações ideais (atenção a possíveis picos de amónia)
Existem outros tipos de bactérias que não vale a pena estar a aprofundar tanto as suas características que são as bactérias que vão viver no nosso aquário. Por exemplo há estirpes de bactérias que combatem pelo habitat com as cianobactérias, e ao dosearmos este tipo de bactérias estamos ativamente a combater a ciano; assim como outras decompõem nitratos para enxofre no estado gasoso que saem pela coluna de água, etc
Usualmente neste caso estamos a falar de bactérias para decompor lixo rapidamente, e novamente aqui temos de as introduzir no nosso aquário e manter a colónia viva e a funcionar, para isto temos de recorrer a produtos como Seachem Pristine, Aquavitro Remediation, Microbe-Lift Gravel Cleaner, Microbe-lift Special Blend, Azoo Bio XD, Azoo Ultra Bioguard.
Perguntam qual será o melhor e como utilizar? Nós na Soluções Aquáticas gostamos de todos e já testámos todos eles, cabe a cada um de vós testar e verificar qual se adequa melhor à vossa rotina de manutenção.
Para finalizar o assunto das BBA, o que devem fazer é manter o aquário limpo através da manutenção de filtros, aquário e trocas de água, utilizar resinas para absorver lixo orgânico na quantidade certa e renovar as mesmas frequentemente, e utilizar pelo menos 1x semana produtos à base de bactérias, de forma a manterem uma colónia das várias estirpes viva e em funcionamento.
Ah! E se quiserem apenas matar a BBA e não resolver o problema que a origina, podem simplesmente utilizar qualquer produto à base de glutaraldeído (carbono líquido) e aplicar diretamente sob a alga, aqui temos o Seachem Excel, Masterline Carbo , APT Fix entre outros!
Mas lembrem-se: o truque não é utilizar um penso rápido (matar a alga), mas sim atacar na sua origem, porque um aquário limpo e com uma boa colónia de bactérias é sinónimo de menos BBA!
Texto elaborado por Ivo Soares 11/04/2024
Prepare-se para uma experiência totalmente nova!
A nova Twinstar Light E-Series está melhor do que nunca, apresentando o LED DE COR LARANJA PERSONALIZADO PELA TWINSTAR uma revolução transformadora.
Nosso LED de cor laranja não é apenas mais uma luz. É uma criação cuidadosamente elaborada em nossas instalações de última geração na Coreia. Distintamente superiores e meticulosamente projetados, nossos produtos são uma prova da tecnologia LED coreana, distinguindo-nos de outras luminárias fabricadas na China.
Testemunhe a gama de espectro única do nosso LED laranja de 380-780 nm. Após mais de três anos de desenvolvimento rigoroso, esta tecnologia mundial incomparável garante que o crescimento de suas plantas aquáticas não apenas sobreviva, mas também prospere.
Experimente a sublime mistura de tecnologia e estética com o LED de cor laranja da Twinstar. Ele desperta uma sensação de 'eu quero isso' desde o primeiro olhar, obrigando você a elevar seu mundo aquático com esta inovação.
Controlável
Sinta a diferença real com uma experiência de controle de iluminação simples e eficaz.
Controlador Twinstar em linha
– Timer incluído: 6, 8 ou 10 horas;
– Nascer/pôr do sol automático de 10min;
– 7 opções de escurecimento;
– Botão liga e desliga;
Conjuntos Aquário e Móvel Aquael
PREÇOS SIMPLESMENTE ABSURDOS E DE OUTRO MUNDO!!!
RE-Scape
Neste vídeo vamos falar sobre como fazer um Re-Scape a um dos aquários da Showroom da Soluções Aquáticas. Sigam o nosso canal para mais vídeos informativos como este, todos os produtos aqui apresentados podem ser adquiridos na nossa loja online www.solaqua.net, ou na Loja física da Soluções Aquáticas, no Barreiro na rua da boa esperança 4 2830-529
Diz adeus às Cianobactérias com este truque!
Como este truque nunca mais vais ter Cianobactéria no teu aquário!
Assistam ao último video do nosso canal do Youtube, subscreve o mesmo pois vamos começar a criar conteúdo frequentemente
P.S- Subscrevam o canal, pois vamos anunciar um GiveAway muito em breve, fiquem atentos
Link para o Vídeo no Youtube